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Urnas históricas em Israel: boca de urna indica impasse político e avanço recorde de partidos árabes


Urnas históricas em Israel: boca de urna indica impasse político e avanço recorde de partidos árabes

JERUSALÉM – Os eleitores de Israel foram às urnas nesta terça-feira, 27 de outubro de 2026, no primeiro pleito nacional desde os ataques de 7 de outubro de 2023. Tratada por analistas como um referendo popular sobre o legado e a liderança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, a votação registrou a maior participação eleitoral para o meio do dia desde 1973, alcançando impressionantes 74,3% de comparecimento até o fechamento das urnas. 
As primeiras pesquisas de boca de urna divulgadas na noite de terça-feira apontam para um profundo impasse político. Nenhuma das principais coalizões conseguiu atingir a maioria absoluta de 61 das 120 cadeiras no Knesset (o Parlamento israelense), o que projeta semanas ou meses de duras negociações de bastidores para a formação de um novo governo. 
O duelo central e o fator medo
A acirrada disputa polarizou o país entre o atual premiê, Benjamin Netanyahu (líder do partido conservador Likud), e o ex-comandante militar Gadi Eisenkot (líder do partido Yashar!). 
  • Benjamin Netanyahu: Concentrou seus discursos finais na retórica de segurança e na sua forte aliança com o presidente americano Donald Trump. Em uma reta final agressiva, Netanyahu recorreu a alertas sobre "ameaças existenciais", compartilhando imagens simuladas por inteligência artificial para alertar sobre os perigos de um eventual avanço do Irã. 
  • Gadi Eisenkot: Baseou sua plataforma na promessa de restaurar a estabilidade institucional e criar uma comissão independente para apurar as falhas de segurança do dia 7 de outubro. Ele acusou Netanyahu de usar o "alarmismo e a intimidação" como ferramentas eleitorais. 
A grande surpresa do pleito
Caso os dados de boca de urna se confirmem, a grande novidade histórica do pleito será a bancada de minorias árabes. A alta adesão desse eleitorado pode garantir aos partidos Ra'am e Joint List entre 17 e 18 cadeiras parlamentares, a maior marca já registrada por essas legendas na história de Israel. 
A força da bancada árabe impõe um dilema matemático e ideológico a ambos os lados. Embora a oposição tenha aparecido ligeiramente à frente em algumas projeções iniciais, Eisenkot e seus aliados demonstram forte hesitação em firmar alianças formais com os partidos árabes devido às sensibilidades do cenário pós-2023. Do outro lado, Netanyahu já descartou publicamente negociar com o bloco árabe, classificando-o como uma ameaça política. 
Cenário internacional e próximos passos
O pleito ocorre sob forte vigília externa e intensa instabilidade no Oriente Médio, marcada por anos de conflito regional e pressões diplomáticas sobre os assentamentos na Cisjordânia.
A apuração oficial e a contagem definitiva dos votos devem se estender até a próxima sexta-feira, 29 ou 30 de outubro. Na sequência, caberá ao presidente de Israel, Isaac Herzog, realizar consultas com as lideranças partidárias para indicar formalmente qual deputado terá a primeira oportunidade de tentar costurar uma maioria governista e assumir o cargo de primeiro-ministro. Caso as alianças fracassem, o país corre o risco de ver novas eleições convocadas em curto prazo, prolongando a interinidade do atual gabinete. 




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